Delta do Mekong e Phu Quoc · Vinh Long

Guia de Tra Vinh: lago Ba Om, pagodes khmer e onde ficar

Tra Vinh é a cidade do delta do Mekong a escolher se procura o lado khmer da região e não os passeios de barco. O organismo de turismo do Vietname contabiliza na zona cerca de 140 templos ricamente decorados, construídos pelos khmer krom, e estima que a população de etnia khmer ronde os 31 por cento; as túnicas cor de açafrão, os telhados curvos com nagas e as escolas dos pagodes fazem parte do quotidiano, não são um espetáculo. A própria cidade é sombreada e tranquila — milhares de árvores antigas ladeiam as ruas — e as principais atrações, o lago Ba Om, o Pagode Ang, o museu da cultura khmer e o Pagode Hang, ficam todas a poucos quilómetros do centro.

Lago Ao Ba Om, em Tra Vinh, sob um céu azul, com um pequeno pavilhão sobre a água e uma fila de árvores altas na margem oposta
O Ao Ba Om, o lago khmer quadrado nos arredores de Tra Vinh, rodeado de árvores antigas
Tempo recomendado
1–2 noites
Onde ficar
Centro de Tra Vinh, em redor das ruas Hung Vuong, Ly Thuong Kiet e Pham Thai Buong
Época e calendário
A estação seca vai de dezembro a abril e a das chuvas de maio a novembro; faz calor todo o ano. Venha no décimo mês lunar (normalmente novembro) para o festival da lua Ok Om Bok.

Em resumo

Fique uma ou duas noites no centro de Tra Vinh. Passe uma manhã no lago Ba Om, no Pagode Ang e no museu da cultura khmer do outro lado da estrada, que ficam juntos cerca de 5 km a sudoeste do centro; percorra o mercado e a zona ribeirinha a meio do dia; e vá ao Pagode Hang ao fim da tarde, quando as cegonhas regressam às árvores. Com um segundo dia, siga até ao dourado Pagode Vam Ray e ao Pagode Co, cheio de cegonhas, em Tra Cu, ou até ao ilhéu de Con Chim, gerido pela comunidade. Os autocarros que partem da estação rodoviária de Mien Tay, em Ho Chi Minh, demoram cerca de três horas; Tra Vinh encaixa também na perfeição entre Ben Tre e Can Tho numa viagem por estrada pelo delta.

Porquê Tra Vinh e quanto tempo ficar

Tra Vinh fica entre os braços Tien e Hau do Mekong, a sul de Ben Tre e a norte de Soc Trang. O organismo de turismo do Vietname descreve-a como uma das províncias mais bonitas do delta — um labirinto de ruas sossegadas e arborizadas, casas antigas e arrozais — e as árvores não são exagero: números da cidade citados pelo VnExpress contabilizaram 14.463 árvores de sombra ao longo de 87 ruas, cerca de 800 delas com mais de um século.

O que distingue Tra Vinh de Can Tho ou de Ben Tre é a presença khmer. Segundo várias fontes, a província tem entre 140 e 143 pagodes khmer, muitos dos quais continuam a funcionar como escolas onde crianças e monges noviços aprendem a ler e a escrever khmer durante o verão. Vem-se aqui para passear pelos recintos dos pagodes, ver os monges na ronda matinal das esmolas e comer massas de influência khmer, não para mercados flutuantes ou cruzeiros fluviais.

Uma noite chega para Ba Om, o Pagode Ang, o museu e o Pagode Hang. Duas noites permitem acrescentar, sem pressas, os pagodes mais afastados de Tra Cu, o ilhéu de Con Chim ou a costa de Ba Dong. Desde a reorganização das províncias vietnamitas em junho de 2025, a antiga província de Tra Vinh integra uma província de Vinh Long alargada, juntamente com Ben Tre, pelo que poderá ver Vinh Long em moradas e em sites de reservas.

O lago Ba Om, o Pagode Ang e o museu khmer

O Ao Ba Om é um lago quase quadrado, com cerca de 500 m de comprimento e 300 m de largura, escavado à mão numa crista de areia há séculos para armazenar a água da chuva. As margens são montes arenosos ondulantes sob altas dipterocarpáceas, cujas raízes se erguem um ou dois metros acima do solo em formas estranhas e retorcidas; o Comité Popular provincial contabiliza cerca de 500 destas árvores antigas em redor do lago. Diz a lenda que o lago foi escavado numa competição de uma noite inteira entre homens e mulheres, ganha pelas mulheres sob a liderança de uma khmer chamada Om, que conquistou assim o direito de escolher marido. O lago secou na grave seca de 2016 e foi depois dragado e reforçado.

Ba Om é tanto um parque local como um monumento. O organismo de turismo do Vietname sugere fazer como os moradores: sentar-se numa cadeira de plástico à sombra das árvores com um café gelado de uma das bancas e observar os lótus e as libélulas. É também aqui que a comunidade khmer se reúne para as suas principais festas, incluindo o Chol Chnam Thmay, o Sene Dolta e o Ok Om Bok.

Do outro lado da Estrada Nacional 53 ergue-se o Pagode Ang (Angkorajaborey), considerado o mais antigo e um dos mais belos pagodes khmer de Tra Vinh. Diz-se que remonta ao século X e foi reconstruído em 1842; portões, telhados e pilares estão decorados com figuras de cabeça de ave, dançarinas celestiais, gigantes guardiões e serpentes naga, num bosque de árvores antigas. Em frente, o Museu da Cultura Étnica Khmer expõe objetos do dia a dia dos khmer krom. Reserve duas a três horas para os três. Quando verificámos, a 2026-10-03, não encontrámos numa fonte oficial horários nem preços de entrada para o pagode e o museu, por isso vá de manhã e vista-se como para um templo: ombros e joelhos tapados, sapatos descalçados onde os outros os tiram.

Sala principal amarela do Pagode Ang, em Tra Vinh, com telhado khmer curvo em vários níveis e árvores atrás
A sala principal do Pagode Ang (Angkorajaborey), do outro lado da estrada do lago Ba Om

Reserve tempo para a comida local

O que comer e onde procurar

01

Bún nước lèo

A sopa de massa emblemática do delta khmer: um caldo de peixe fermentado (mắm bò hóc, em Tra Vinh) coado e cozinhado em lume brando com erva-príncipe, lascas de peixe-cabeça-de-cobra, cogumelos de palha e sangue de porco, deitado sobre massa de arroz. Acompanha com crepes fritos, porco assado e muita flor de bananeira e caules de nenúfar em tiras. Soc Trang também a reivindica.

Onde procurar
Casas de massas e bancas de pequeno-almoço no centro de Tra Vinh; o organismo de turismo do Vietname sugere-a para o almoço depois de Ba Om.
Como encaixar no dia
Pequeno-almoço ou almoço na manhã de Ba Om, com crepes e porco assado a acompanhar.

O caldo de peixe fermentado tem um cheiro intenso; contém peixe, porco e sangue de porco.

02

Bún suông

Uma invenção de Tra Vinh: massa de arroz num caldo de porco com tamarindo e soja fermentada, com suông, pequenos bolinhos curvos de camarão pilado em forma de larva de escaravelho-da-palmeira, além de barriga de porco, rebentos de feijão e couve em tiras, servida com um molho de pasta de soja moída e malagueta.

Onde procurar
Casas de massas no centro de Tra Vinh, sobretudo de manhã.
Como encaixar no dia
Pequeno-almoço antes do Pagode Ong Met ou do mercado.

Contém camarão e porco.

03

Bánh canh Bến Có

Massa de arroz grossa e redonda num caldo límpido de ossos de porco, com pé de porco, carne magra, coração, fígado e outras partes do animal, finalizada com cebolinho, chalotas fritas e pimenta. Deve o nome à aldeia de Ben Co, na Estrada Nacional 53, onde uma casa a serve há mais de 40 anos.

Onde procurar
Ao longo da Estrada Nacional 53 em Ben Co, na estrada para sudoeste depois de Ba Om, e na cidade.
Como encaixar no dia
Almoço no regresso de Ba Om e do Pagode Ang.

Leva muitas miudezas, a não ser que peça só carne magra.

04

Bánh tét Trà Cuôn

Um bolo de arroz glutinoso em forma de rolo, da aldeia de Tra Cuon, em Cau Ngang, uma zona khmer. O arroz é tingido de verde com sumo de folhas e envolve feijão-mungo e porco temperado (por vezes ovo salgado), ou um recheio doce de banana, sendo depois cozido em folhas de bananeira durante cerca de dez horas.

Onde procurar
No mercado de Tra Vinh e em paragens à beira da estrada perto da cidade.
Como encaixar no dia
Um petisco no passeio pelo mercado, ou um bolo inteiro para levar no autocarro.

A versão salgada contém porco; confirme o recheio antes de comprar.

05

Cháo ám e bánh mì phá lấu

O cháo ám é uma papa de arroz com peixe-cabeça-de-cobra, camarão seco e lula, molho de peixe fermentado e amendoim torrado, comida com ervas aromáticas e bolachas de sésamo esfareladas. Ao jantar, o organismo de turismo do Vietname aponta o bánh mì phá lấu, uma baguete recheada com miudezas estufadas num molho rico e adocicado.

Onde procurar
Pequenas casas de comida e vendedores noturnos de bánh mì no centro.
Como encaixar no dia
Cháo ám para um almoço leve; bánh mì phá lấu antes de um café à noite na Pham Ngu Lao.

Contém peixe, marisco e miudezas.

Pagode Hang: talha em madeira e cegonhas ao entardecer

O Pagode Kompong Chrây, mais conhecido como Pagode Hang (o «pagode da gruta»), fica logo a sul da cidade, na Estrada Nacional 54 — o organismo de turismo do Vietname situa-o a 6 km da cidade. O nome vem da entrada: três portões em arco construídos lado a lado como grutas, com paredes tão grossas que atravessá-los parece passar através da rocha. O pagode tem mais de 300 anos e ergue-se em cerca de dois hectares de árvores antigas.

Há duas razões para escolher bem a hora da visita. Os monges residentes esculpem madeira, transformando raízes de árvores em grandes esculturas espalhadas pelo recinto e pelo interior, algumas das quais chegam ao teto. E as copas das árvores abrigam milhares de cegonhas e outras aves: chegue ao fim da tarde e espere pelo entardecer, quando os bandos regressam para pernoitar.

Mantenha-se afastado das árvores com ninhos, não use drones e lembre-se de que este é um mosteiro ativo, onde estudam jovens monges.

Caminho de areia sob altas árvores antigas junto ao lago Ba Om, com enormes raízes retorcidas a sair do solo
Dipterocarpáceas antigas com raízes expostas nas margens do lago Ba Om

Pela cidade: Pagode Ong Met, o mercado e o rio

No centro, o Pagode Ong Met (Kompong Ksan), junto ao canal de Tra Vinh, é um dos templos khmer mais conhecidos da província. Segundo o VnExpress, remonta a 642 d.C., mudou-se para o local atual em 711 d.C. e foi classificado como relíquia nacional em 2009. É também um importante centro de ensino da língua khmer, onde se formaram muitas gerações de monges da província.

O organismo de turismo do Vietname recomenda um passeio pelo mercado de frescos e ao longo do rio Long Binh, onde os pescadores recolhem as redes, comprando pelo caminho uma fatia de bánh tét Trà Cuôn. À noite, os cafés da rua Pham Ngu Lao e o Deja Vu Huynh Kha Eco Park, onde as famílias locais passeiam depois do jantar, são o sítio onde Tra Vinh passa os seus tempos livres.

A cidade é plana e sombreada, por isso uma bicicleta ou uma mota alugada é a forma mais simples de ligar o centro a Ba Om e ao Pagode Hang; também há táxis. Algumas grandes árvores antigas erguem-se no meio da estrada — uma, no cruzamento das ruas Hung Vuong e Le Loi, foi preservada na sua própria ilha de trânsito —, por isso circule devagar.

Portão amarelo com três arcos do Pagode Hang, em Tra Vinh, construído a imitar entradas de grutas, sob grandes árvores
O portão triplo em forma de gruta que dá nome ao Pagode Hang (Kompong Chrây)

Um segundo dia: Vam Ray, Pagode Co, Con Chim e a costa

Com mais um dia, escolha uma direção em vez de tentar fazer tudo. São percursos longos por estradas rurais; um carro com motorista ou um dia inteiro de mota é a forma realista de os fazer.

  • Pagode Vam Ray, na comuna de Ham Tan, em Tra Cu, a cerca de 35 km da cidade: reconstruído nos anos 2000 no lugar de um pagode mais antigo destruído na guerra, é dourado do telhado aos pilares e tem um Buda reclinado dourado com 54 m de comprimento.
  • Pagode Co (Phno Don ou Giong Lon), na comuna de Dai An, em Tra Cu: fundado em 1677, é conhecido pelas cegonhas, garças e abetouros que nidificam nas árvores antigas do seu recinto de seis hectares, e organiza aulas de khmer para as crianças locais no verão.
  • Ilhéu de Con Chim, a cerca de 15 km da cidade, no rio Co Chien: uma aldeia de turismo comunitário a que se chega num curto ferry a partir do cais de Ba Tram, onde as famílias servem comida caseira do delta e emprestam bicicletas para dar a volta ao ilhéu. A água salgada chega ao ilhéu de março a setembro, quando os agricultores trocam o arroz pelo camarão e pelo caranguejo.
  • Praia de Ba Dong, em Truong Long Hoa, Duyen Hai, a cerca de 55 km da cidade: um dia à beira-mar com marisco e as turbinas eólicas ao longo da costa, com mangais a poucos quilómetros.
  • Cau Ke, no rio Hau, a oeste da cidade: pomares no ilhéu de Tan Quy, o Pagode Sam Pua e a casa Huynh Ky, do início do século XX, a cerca de 30 km de Tra Vinh.
Museu da Cultura Étnica Khmer, em Tra Vinh, um edifício com frontão pontiagudo de estilo khmer entre árvores altas
O Museu da Cultura Étnica Khmer, junto ao lago Ba Om

Festivais e quando ir

Tra Vinh é quente todo o ano, com uma média de cerca de 28 °C. A estação seca, de dezembro a abril, é a melhor altura para os longos percursos até aos pagodes mais afastados; de maio a novembro é comum chover à tarde, mas a cidade e as principais atrações ficam suficientemente perto umas das outras para contornar a chuva.

O calendário khmer é a melhor razão para escolher a data da visita. O Ok Om Bok, o festival de culto à lua na lua cheia do décimo mês lunar, normalmente em novembro, leva as famílias ao lago Ba Om para soltar lanternas na água e dançar; o Ok Om Bok de Tra Vinh foi reconhecido como património imaterial nacional em 2014. O Sene Dolta, a festa dos antepassados, decorre do 29.º dia do oitavo mês lunar ao primeiro dia do nono, e o Kathina, a cerimónia de oferta de túnicas, realiza-se nos pagodes durante o nono e o décimo meses lunares, com procissões, danças de tambores e dançarinos yeak mascarados. As datas lunares mudam todos os anos, por isso confirme-as antes de reservar.

O Ano Novo khmer, Chol Chnam Thmay, é a maior celebração do ano: três dias de visitas aos pagodes, oferendas aos monges, construção de montes de areia e banho das estátuas do Buda. Se tenciona vir para um festival, reserve o quarto com antecedência.

Torre e portão do Pagode Ong Met refletidos no canal de Tra Vinh num dia limpo
O Pagode Ong Met, junto ao canal no centro de Tra Vinh

Como chegar e seguir viagem

A partir de Ho Chi Minh, os autocarros saem da estação rodoviária de Mien Tay e demoram cerca de três horas até Tra Vinh, a aproximadamente 130 km. O organismo de turismo do Vietname refere que os autocarros locais ligam a maioria das províncias do delta entre si e a Mien Tay, e que os autocarros expresso com reserva são outra opção.

Tra Vinh funciona melhor como uma paragem num circuito pelo delta do que como destino sem saída: chegue de manhã de carro ou de autocarro vindo de Ben Tre, tal como no itinerário de quatro dias pelo delta do organismo de turismo do Vietname, e continue para Can Tho, a cerca de três horas, ou para sul, até aos pagodes khmer de Soc Trang. Já na cidade, alugue uma bicicleta ou uma mota, ou use táxis; se contratar um motorista para os pagodes mais afastados, combine o tempo de espera.

Perguntas práticas

Vale a pena visitar Tra Vinh?

Sim, se tiver interesse pela cultura khmer. Tem cerca de 140 pagodes khmer, uma grande população khmer e uma cidade calma e arborizada. Se procura sobretudo mercados flutuantes e passeios de barco, Can Tho é a melhor base.

Quantos dias são precisos em Tra Vinh?

Uma noite chega para o lago Ba Om, o Pagode Ang, o museu da cultura khmer e o Pagode Hang ao entardecer. Duas noites permitem acrescentar os pagodes Vam Ray e Co, em Tra Cu, o ilhéu de Con Chim ou a praia de Ba Dong.

Como ir de Ho Chi Minh a Tra Vinh?

De autocarro a partir da estação rodoviária de Mien Tay, numa viagem de cerca de três horas e aproximadamente 130 km. Também pode chegar de Ben Tre de carro ou de autocarro e seguir depois para Can Tho, a cerca de três horas.

Qual é a melhor altura para ver as cegonhas no Pagode Hang?

Ao fim da tarde e até ao entardecer, quando as aves regressam às árvores antigas do recinto do pagode.

Quando se realiza o festival Ok Om Bok em Tra Vinh?

Na lua cheia do décimo mês lunar, normalmente em novembro. A data lunar muda todos os anos, por isso confirme-a antes de viajar e reserve o quarto com antecedência.

Tra Vinh ainda é uma província?

Desde 2025 que não. Com a reorganização de junho de 2025, Tra Vinh, Ben Tre e Vinh Long foram fundidas numa província de Vinh Long alargada. A cidade e as suas atrações não mudaram, mas as moradas indicam agora muitas vezes Vinh Long.

Fontes e verificações antes de viajar

Fontes de referência da versão de 3 de outubro de 2026. Confirme horários, acesso, transportes e condições para as datas da sua viagem. A maioria das fontes indicadas está em inglês.

Política editorial →

Esta experiência encaixa no seu percurso?

Tra Vinh explora-se melhor por conta própria; reserve a manhã de barco com guia para a paragem seguinte, Can Tho.

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